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20/05/2008
Bordando o Brasil
Os bordados feitos por artesãs de Tiradentes e São João del Rei, reconhecidos pela qualidade do acabamento, chegam ao mercado externo. A ampliação das vendas é resultado de ações de profissionalização das artesãs, que se uniram no grupo Bordando o Brasil, com o apoio do Sebrae-MG.
O grupo é liderado por Laudelina Trindade, de 37 anos. Filha de trabalhadores rurais, a artesã aprendeu a bordar aos nove anos. Logo começou a trabalhar como doméstica para ajudar nas despesas de casa. Aos 15 anos, inconformada com a situação em que vivia, Laudelina começou a beber. “Trabalhava muito e me sentia rejeitada. Como meu pai era alcoólatra achei que poderia seguir o mesmo caminho” lembra Laudelina.
Após muitos problemas de saúde, Laudelina reencontrou no bordado o estímulo para superar o vício. “O artesanato foi a minha salvação”, comenta. Em 2003, a artesã e mais 30 mulheres da região participaram do curso de bordado promovido pelo Banco do Brasil, com o apoio do Sebrae-MG. “Aprendemos sobre cooperativismo, associativismo, gestão, comercialização e design”, conta a artesã.
Encerrado o projeto, as artesãs resolveram prosseguir com o trabalho. “Algumas mulheres do grupo enfrentavam problemas familiares e financeiros e viram no bordado uma alternativa para melhorar a vida. Qualquer pessoa pode participar do nosso grupo. Damos o pano, a agulha e a linha e se não sabe bordar também ensinamos”, explica Laudelina.
Entre cortar, riscar, costurar e bordar, cada uma das artesãs produz por mês mais de 50 peças. “A metade do dinheiro que arrecadamos com a venda das peças vai para quem faz o produto e os outros 50% fica para o grupo e serve para comprar linha e pano.”
Em 2006, o grupo participou pela primeira vez da Feira do Empreendedor, promovida pelo Sebrae-MG. Em apenas três dias de evento elas venderam todo o estoque e faturaram mais de R$ 6 mil. O grupo recebe encomendas por telefone, vendem a produção em uma loja de Tiradentes e nas principais feiras de artesanato do Estado.
Serviços
Bordando o Brasil
Participação de 16 artesãs (entre 17 e 57 anos)
Produtos: almofadas, conchas, jogos americanos, caminho de mesa e xales
Faturamento mensal: R$ 1 mil a R$ 2 mil
Produção mensal: mais de 50 peças por artesã (o grupo produz cerca de 800 peças)
Fontes: Laudelina Trindade (artesã) e Sabrina Campos (técnica do Sebrae-MG responsável pelo setor de artesanato) |